Talvez em ti acabem todas as nascentes
E nas rugas que, numa e noutra face,
Esculpiram o medo e a sabedoria,
Se possa ler em comovido olhar
O princípio, o meio e o fim desse caudaloso
Fluir que outrora chamámos de vida.
Talvez agora, tal como ontem e sempre,
Comece a própria morte,
Aquilo que nos devora,
Aquilo que nos convoca para o silêncio e para
A Mão que escreve, sonâmbula e feroz,
Estremecendo.
José Agostinho Baptista nasceu no Funchal a 15 de Agosto de 1948 e é um poeta português contemporâneo. Foi considerado um dos poetas mais importantes e originais da atualidade poética portuguesa. O seu poema ''Fluir'' encontra-se na obra intitulada ''Agora e na Hora da Nossa Morte'' e penso que está muito bem enquadrado, tendo em conta o título da obra. A hora da morte é exatamente o assunto que está retratado no poema. Ainda que esteja poeticamente metaforizado, é um tema complexamente angustiante. No primeiro verso encontra-se uma antítese entre a vida e a morte, sendo que a nascente está relacionada com a água, já que lhe é associado o significado da origem da vida. Relata a vontade inquieta do sujeito poético em comprometer-se juntamente com outro alguém eternamente ao fim, à morte. O poema faz referência ao olhar entristecido de alguém em quem o sujeito poético consegue visualizar o princípio, o meio e o fim do fluir da vida. Vê a morte como algo que nos devora, que nos atrai para o silêncio eterno e para a mão que vai escrevendo a carta de despedida, entre choros incontroláveis, soluços inquietantes e mãos suadas e dormentes, que tremem enquanto as palavras que estamos desesperados por gritar nos saem da ponta dos dedos, aos poucos e poucos.
Pessoalmente, considero o poema ''Fluir'' um poema de um carácter muito angustiante e de uma beleza poética extrema, sendo que o sujeito poético se encontra num estado de completo desespero. No entanto, revela-o de uma maneira agradável. Esta categoria poética que se baseia nos sentimentos de angústia caótica é, sem dúvida, a minha predilecta. Escolhi esta obra poética por ser extremamente representativa de mensagens obscuras e suicidas, com a presença significativa de várias antíteses, que ajudam a intensificar essas mesmas mensagens.
Bibliografia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Agostinho_Baptista
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Apreciação crítica da apresentação sobre Bocage
No passado dia 12 de Novembro de 2015 dirigimo-nos à Escola Básica du Bocage, com o propósito de falar sobre o poeta Bocage e a disciplina de Literatura Portuguesa. Visto que tínhamos de falar sobre estes temas a duas turmas, a nossa dividiu-se.
Na primeira metade da turma, o nervosismo estava presente, por sermos os primeiros a apresentar. Para além disso, a turma à qual foi feita a presentação revelou-se inquieta e conversadora. Apesar destes aspectos, a apresentação foi bem sucedida.
Na segunda metade da turma, o ambiente encontrava-se mais leve e descontraído e verificou-se um maior à vontade. O público demonstrou ser mais interactivo e interessado nos conteúdos abordados do que o anterior. Alguns alunos e até mesmo a professora intervieram na apresentação, o que a tornou mais dinâmica. O facto de uma colega nossa ter cantado uma cantiga de amigo também contribuiu positivamente para a apresentação.
No geral, as apresentações decorreram correta e agradavelmente. Os powerpoints também foram um contributo para o bom desenrolar da apresentação.
Na primeira metade da turma, o nervosismo estava presente, por sermos os primeiros a apresentar. Para além disso, a turma à qual foi feita a presentação revelou-se inquieta e conversadora. Apesar destes aspectos, a apresentação foi bem sucedida.
Na segunda metade da turma, o ambiente encontrava-se mais leve e descontraído e verificou-se um maior à vontade. O público demonstrou ser mais interactivo e interessado nos conteúdos abordados do que o anterior. Alguns alunos e até mesmo a professora intervieram na apresentação, o que a tornou mais dinâmica. O facto de uma colega nossa ter cantado uma cantiga de amigo também contribuiu positivamente para a apresentação.
No geral, as apresentações decorreram correta e agradavelmente. Os powerpoints também foram um contributo para o bom desenrolar da apresentação.
Eu Perdi-me nela mesma, Bernardim Ribeiro
(Cantiga sua à senhora Maria Coresma)
Uns esperam a Coresma
para se nela salvar,
eu perdi-me nela mesma
para nunca me cobrar.
Mas com esta perda tal
eu m'hei por mui bem ganhado,
porque o melhor de meu mal
está todo no cuidado.
Os que cuidam qu'a Coresma
não é para condenar,
se a virem ela mesma,
mal se poderão salvar.
Bernardim Ribeiro, in 'Cancioneiro Geral de Garcia de Resende'
Uns esperam a Coresma
para se nela salvar,
eu perdi-me nela mesma
para nunca me cobrar.
Mas com esta perda tal
eu m'hei por mui bem ganhado,
porque o melhor de meu mal
está todo no cuidado.
Os que cuidam qu'a Coresma
não é para condenar,
se a virem ela mesma,
mal se poderão salvar.
Bernardim Ribeiro, in 'Cancioneiro Geral de Garcia de Resende'
Desabafo inquietante
E eu, Paula, filha do grande e magnífico homem do teatro, Gil Vicente, estou destroçada. O amor por Bernardim é tudo o que me aquece, tudo o que me arrefece. É tudo o que me corre pelas veias. Mas e ele? Apaixonado loucamente pela Infanta! Um pobre trovador apaixonado por uma mulher tão inalcançável como D. Beatriz! E ela!? Que lhe corresponde apesar de estar proibida de o fazer. Pelo pai, pelo país, pela sociedade! Ela que me diz tanto e eu que lhe digo tão pouco... Não posso. Nunca lhe quis nada senão bem. Mas e eu? Eu que ouço os dois a queixarem-se de não se poderem amar? Eu que sinto o meu coração a sufocar cada vez mais? Não desejo de maneira alguma que Beatriz seja infeliz com um esposo que ela não queira. Quero que seja amada, insanamente amada. Mas só Bernardim a ama assim... E também nunca quis que Bernardim fosse infeliz por não me amar como eu o amo. Amo-o. E amo-o tanto! Amo-o tanto que não consigo não o amar. Tenho esta instável confusão sentimental presa dentro de mim!
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Eu, Bocage
Eu, Bocage, nascido a 15 de Setembro de 1765, em Setúbal, fui um dos mais importantes poetas portugueses do século XVIII. Com apenas 10 anos enfrentei uma grande e devastadora perda, a morte da minha mãe. Desde então, vivi com o meu pai e os meus irmãos, até que, aos 16 anos, fui obrigado a abandonar os estudos e alistei-me no regimento de Setúbal, onde permaneci até 1783, data em que ingressei na Escola da Armada: “Aos dois Lustros, a/ morte devorante/ Me roubou terna mãe, / teu doce agrado; / Segui Marte depois, e/ enfim meu fado/ Dos irmãos, e do pai me pôs distante.” Três anos depois parti para a Índia, onde fiquei a trabalhar durante 2 anos, até seguir para Macau. Regressei a Lisboa, levando uma vida de boémia, enquanto fazia parte da Nova Arcádia, com o pseudónimo de Elmano Sadino.
Devido à minha simpatia pela Revolução Francesa, fui acusado de “herético perigoso e dissoluto de costumes” e preso. Depois disso, fui internado no Colégio do Oratório, onde me dediquei ao trabalho de tradutor. Vivi na época em que surgiu o Iluminismo, movimento cultural que teve origem na Inglaterra e Holanda nos fins do século XVII. A consciência que o Iluminismo tinha de si mesmo era a de um sol que trespassa com a sua coroa de raios luminosos uma massa de nuvens negras, desfazendo-as até que a luz se derrame sobre a terra.
Enquanto poeta insiro-me no período de transição do Neoclassicismo para o Pré-Romantismo, possuindo características de ambos: “Meu ser evaporei na lida insana/ Do tropel de paixões, que me arrastava; / Ah! Cego eu cria, ah! Mísero eu sonhava/ Em mim quase imortal a essência humana. / […] Deus… Oh Deus! Quando a morte à luz me roube, / Ganhe um momento o que perderam anos,/ Saiba morrer o que viver não soube.” O Neoclassicismo inspirava-se nos clássicos gregos e latinos e do século XVI, servindo para combater a literatura barroca, enquanto o Pré-Romantismo se baseava no fatalismo, que conduzia à tristeza e, por vezes, ao desespero. Baseava-se também na busca do isolamento, no exagero do sofrimento causado pela saudade e pela desconfiança e no choque entre a razão e o coração.
No contexto do panorama político-cultural do século XVIII, governava D. José. Neste reinado aconteceu o despotismo esclarecido, que consistiu na adaptação dos princípios teóricos expostos por alguns filósofos e pedagogos portugueses que teriam vivido no estrangeiro, como Verney, Sarmento e Ribeiro Sanches, ou por alguns dos seus antecessores no governo e na diplomacia. Mais tarde, D. José foi substituído pela sua filha, D. Maria I.
Quanto às minhas obras publiquei em 1791 o I de Rimas, 8 anos depois publiquei o II de Rimas e um ano depois a 3ª edição do I de Rimas. Em 1802 publiquei a sátira Pena de Julião e em 1804 publiquei o tomo III de Rimas. No ano em que morri consegui ainda lançar Os improvisos de Bocage na sua Mui Perigosa Enfermidade, Dedicados a seus Bons Amigos e a Coleção de Novos Improvisos de Bocage, na sua Moléstia com as Obras que lhe Foram Dirigidas por Vários Poetas Nacionais.
Morri a 21 de Dezembro de 1805, em Lisboa. Após a minha morte foram publicadas várias obras minhas, tais como Verdadeira Inéditas, Obras de Bocage, tomo IV e 1º das suas Obras Póstumas; Verdadeira Inéditas, Obras de Bocage, tomo V e 2º das suas Obras Póstumas e Poesias de Manuel Maria Barbosa du Bocage, Coligidas em Nova e Completa Edição, Disposta e Anotada por I. F. da Silva, e Precedidas de um Estudo Biográfico e Literário sobre o Poeta Escrito por L. A. Rebelo da Silva.
Bibliografia
Vilhena, A.M & Cabral, M.A (2005). “Barbosa du Bocage”, apresentação power point. Plataforma moodle da Escola Secundária du Bocage: http://web.esbocage.com/
Sitografia
Ana Sofia nº7
Joana Lopes nº18
Margarida Malta nº20
10ºI
segunda-feira, 1 de junho de 2015
''O mundo é tudo o que acontece''
A história que recentemente apresentei intitula-se de ''O mundo é tudo o que aconteceu'' e este insere-se num livro com o mesmo título. Foi escrito por Pedro Paixão, um escritora lisboeta nascido em 1956. Esta história retrata a vida e a maneira que nós a encaramos. Relata diversos aspetos importantes sobre a vida mas reforça que esta é apenas uma passagem e que nada nos pertence nem nos está garantido. Retrata a possível existência de Deus e de como este teve a incrível capacidade para criar tudo o que nos rodeia. O texto termina com a citação ''Mas que Deus, meu Deus, és tu, que o próprio nome, escondes?'' o que revela a curiosidade e intriga por parte do narrador, sendo que este, apesar de se revelar crente da sua existência, questiona a razão pela qual este não é visível, nem identificável.
Considero esta história muito interessante, apesar de ser um pouco vaga, pois retrata a realidade. A realidade com que vivemos nos dias de hoje e a que viveremos nos nossos futuros dias. A vida é incerta, isso é um facto. Tudo o que consideramos nosso hoje, pode já não o ser amanhã. Deus, segundo as crenças do narrador e contra as minhas, criou o mundo à base de nada. Apesar da pequena discórdia pessoal em relação à Força Superior da Igreja, concordo com tudo o que autor explicita no desabafo que fez sobre a sua opinião na vida. Concordo com o facto de este referir, no fim, que a razão da vida de cada um é impossível de encontrar. Na minha opinião, a razão pela qual nos encontramos de pés assentes na Terra nunca é descoberta. Temos apenas de aproveitar enquanto podemos para fazer esta pequena viagem pela Terra merecedora porque se ficarmos sentados de braços cruzados à espera que a razão pela qual fomos colocados neste maravilhoso mundo, a vida passará-nos à frente dos nossos olhos e quando dermos conta, já é tarde demais para fazer algo de especial com a vida.
domingo, 15 de março de 2015
Apreciação crítica de ''Talvez''
''Janelas da Alma'' título de um livro de poesia escrito por Maria Só, no qual esta faz referência a Setúbal, à Arrábida e à natureza e ao ambiente desta cidade. Apesar deste tipo de poemas alusivos à beleza setubalense, a poetisa escreve sobre tudo um pouco.
O poema que eu escolhi tem o nome de ''Talvez'' e fala da liberdade que o sujeito poético pretende obter através da libertação do seu coração e de poder, finalmente, demonstrar os seus sentimentos. O sujeito poético refere que se sente aprisionado e sufocado e, deste modo, pretende encontrar a sua felicidade e o bem-estar consigo próprio. Assim, diz que será através dos versos escritos que libertará as suas emoções e se fará ouvir perante o mundo.
Eu gostei bastante deste poema pois me consigo identificar com o sujeito poético, de modo a que ambos usemos a escrita para gritar aquilo que nem pensávamos sussurrar.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Apreciação crítica de ''O Centro da Terra''
''O Centro da Terra'', conto introduzido no livro ''Sinto Muito'' de Nuno Lobo Antunes retrata a história de uma rapariga com cancro cerebral que vai, com o passar do tempo, desaparecendo. Perde a voz, perde o cabelo. Perde a sua figura até que se perde a si própria.
A história é contada pelo seu médico que, apesar de o seu maior desejo ser retirar-lhe o terror em que vive, não pode pois isso não está ao seu alcance.
Eu gostei bastante deste conto pois retrata o desespero em que se vive quando se está à beira da morte, a vontade e a incapacidade de retirar o sofrimento à pessoa. É um conto que retrata a vida da perspectiva mais dolorosa e inquietante.
''Tanto ódio nesse olhar. Ouve, não pensei que te zangasses, que houvesse revolta, que não aceitasses... Que queres, não posso. Estendia-te a mão se conseguisse. Juro que estendia. A doença não deixa. A vida esvai-se como água num ralo e tu vais cair no centro da Terra. Vê se percebes, não te posso ajudar, fechou o guichet, falta o impresso, não tenho troco - mas neste momento, se quiseres acredita, no momento preciso em que te somes para o fundo, reparei que existias.''
sábado, 24 de janeiro de 2015
Autorretrato
De olhos azuis e de cabelos castanhos encaracolados, com apenas 1,64 de altura, apresento-me ao mundo. Sou uma rapariga muito ansiosa, talvez demais. Passo noites acordada a pensar nas coisas mais atormentadoras e variadas. Preocupo-me com tudo e todos os que me rodeiam. Sou pouco paciente mas muito frágil, orgulhosa e teimosa. Tenho um feitio confuso e peculiar. Ou quero tudo ou não quero nada, ou sou tudo ou não sou nada. Tenho muitas feridas, psicológicas e físicas. Tenho o coração rachado em 302 pedaços e espero ser capaz de o consertar em breve.
Dizem que tenho cara de poucos amigos, que sou antipática. Julgam-me arrogante, estúpida, de mau feitio, agressiva, irritada e por vezes, oca. Dizem que deveria tentar arranjar um pouco mais de boa disposição e de paciência. Levo as coisas demasiado a peito, não gosto que brinquem com assuntos sérios com os quais me relaciono. Sinto a necessidade de me fazer ouvir e de defender a minha opinião e não gosto de pessoas que não a possuam. Penso que sou um misto da pessoa mais calma e alegre com a mais nervosa e sombria.
Quero ser bem sucedida, quero trabalhar para a Vogue ou para a Cosmopolitan, sendo colunista ou quero realizar grandes filmes de Hollywood. Quero continuar a ser eu mesma, com a minha lista infinita de defeitos e a minha pequena lista de qualidades. Sou quem sou e não pretendo ter de o mudar para agradar ao mundo. Sou feliz assim, carregando às minhas costas o meu coração partido, as minhas feridas interiores e o meu furacão de emoções.
Retrato
Lembro-me dele, de vez em quando, Principalmente em dias de chuva. Ele, de olhos avelã no inverno e de olhos verdes no verão, era um sonhador cujo olhar transbordava de sonhos e desejos. Conheci-o à 2 anos atrás, lembro-me como se fosse ontem. Ele usava calças e blusa pretas, com os seus óculos escuros que impediam visualizar o brilho reluzente dos seus olhos. Foi, é e será sempre uma das minhas grandes inspirações. Via o mundo como mais ninguém o conseguia ver. Se houvesse relâmpagos, ele veria um arco-íris. Se estivesse a chover torrencialmente, ele veria um sol arrasador. Vivia as emoções ao contrário de todos os outros e foi isso que me fascinou naquela obra de arte humana. Era uma paz de alma, defendia os direitos dos animais e era contra qualquer tipo de violência. Deu o meu nome a uma estrela que, segundo ele, brilhava tanto como eu. A música era o seu refúgio, tocava guitarra e tinha como cantor preferido o Michael Bublé. Gostava de passear pelo parque à noite de mão dada comigo e de na outra mão, segurar a trela do seu cão. Deitados na relva, passavam-se horas, noites e madrugadas na conversa. Ele era especial, era do género de pessoa que se conhece uma vez na vida e que enquanto esta dura, não se consegue esquecer.
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