sábado, 24 de janeiro de 2015

Autorretrato

De olhos azuis e de cabelos castanhos encaracolados, com apenas 1,64 de altura, apresento-me ao mundo. Sou uma rapariga muito ansiosa, talvez demais. Passo noites acordada a pensar nas coisas mais atormentadoras e variadas. Preocupo-me com tudo e todos os que me rodeiam. Sou pouco paciente mas muito frágil, orgulhosa e teimosa. Tenho um feitio confuso e peculiar. Ou quero tudo ou não quero nada, ou sou tudo ou não sou nada. Tenho muitas feridas, psicológicas e físicas. Tenho o coração rachado em 302 pedaços e espero ser capaz de o consertar em breve. 
Dizem que tenho cara de poucos amigos, que sou antipática. Julgam-me arrogante, estúpida, de mau feitio, agressiva, irritada e por vezes, oca. Dizem que deveria tentar arranjar um pouco mais de boa disposição e de paciência. Levo as coisas demasiado a peito, não gosto que brinquem com assuntos sérios com os quais me relaciono. Sinto a necessidade de me fazer ouvir e de defender a minha opinião e não gosto de pessoas que não a possuam. Penso que sou um misto da pessoa mais calma e alegre com a mais nervosa e sombria. 
Quero ser bem sucedida, quero trabalhar para a Vogue ou para a Cosmopolitan, sendo colunista ou quero realizar grandes filmes de Hollywood. Quero continuar a ser eu mesma, com a minha lista infinita de defeitos e a minha pequena lista de qualidades. Sou quem sou e não pretendo ter de o mudar para agradar ao mundo. Sou feliz assim, carregando às minhas costas o meu coração partido, as minhas feridas interiores e o meu furacão de emoções.

Retrato

Lembro-me dele, de vez em quando, Principalmente em dias de chuva. Ele, de olhos avelã no inverno e de olhos verdes no verão, era um sonhador cujo olhar transbordava de sonhos e desejos. Conheci-o à 2 anos atrás, lembro-me como se fosse ontem. Ele usava calças e blusa pretas, com os seus óculos escuros que impediam visualizar o brilho reluzente dos seus olhos. Foi, é e será sempre uma das minhas grandes inspirações. Via o mundo como mais ninguém o conseguia ver. Se houvesse relâmpagos, ele veria um arco-íris. Se estivesse a chover torrencialmente, ele veria um sol arrasador. Vivia as emoções ao contrário de todos os outros e foi isso que me fascinou naquela obra de arte humana. Era uma paz de alma, defendia os direitos dos animais e era contra qualquer tipo de violência. Deu o meu nome a uma estrela que, segundo ele, brilhava tanto como eu. A música era o seu refúgio, tocava guitarra e tinha como cantor preferido o Michael Bublé. Gostava de passear pelo parque à noite de mão dada comigo e de na outra mão, segurar a trela do seu cão. Deitados na relva, passavam-se horas, noites e madrugadas na conversa. Ele era especial, era do género de pessoa que se conhece uma vez na vida e que enquanto esta dura, não se consegue esquecer.