quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Desabafo inquietante
E eu, Paula, filha do grande e magnífico homem do teatro, Gil Vicente, estou destroçada. O amor por Bernardim é tudo o que me aquece, tudo o que me arrefece. É tudo o que me corre pelas veias. Mas e ele? Apaixonado loucamente pela Infanta! Um pobre trovador apaixonado por uma mulher tão inalcançável como D. Beatriz! E ela!? Que lhe corresponde apesar de estar proibida de o fazer. Pelo pai, pelo país, pela sociedade! Ela que me diz tanto e eu que lhe digo tão pouco... Não posso. Nunca lhe quis nada senão bem. Mas e eu? Eu que ouço os dois a queixarem-se de não se poderem amar? Eu que sinto o meu coração a sufocar cada vez mais? Não desejo de maneira alguma que Beatriz seja infeliz com um esposo que ela não queira. Quero que seja amada, insanamente amada. Mas só Bernardim a ama assim... E também nunca quis que Bernardim fosse infeliz por não me amar como eu o amo. Amo-o. E amo-o tanto! Amo-o tanto que não consigo não o amar. Tenho esta instável confusão sentimental presa dentro de mim!
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