domingo, 15 de março de 2015

Apreciação crítica de ''Talvez''

''Janelas da Alma'' título de um livro de poesia escrito por Maria Só, no qual esta faz referência a Setúbal, à Arrábida e à natureza e ao ambiente desta cidade. Apesar deste tipo de poemas alusivos à beleza setubalense, a poetisa escreve sobre tudo um pouco. 
O poema que eu escolhi tem o nome de ''Talvez'' e fala da liberdade que o sujeito poético pretende obter através da libertação do seu coração e de poder, finalmente, demonstrar os seus sentimentos. O sujeito poético refere que se sente aprisionado e sufocado e, deste modo, pretende encontrar a sua felicidade e o bem-estar consigo próprio. Assim, diz que será através dos versos escritos que libertará as suas emoções e se fará ouvir perante o mundo.
Eu gostei bastante deste poema pois me consigo identificar com o sujeito poético, de modo a que ambos usemos a escrita para gritar aquilo que nem pensávamos sussurrar. 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Apreciação crítica de ''O Centro da Terra''

''O Centro da Terra'', conto introduzido no livro ''Sinto Muito'' de Nuno Lobo Antunes retrata a história de uma rapariga com cancro cerebral que vai, com o passar do tempo, desaparecendo. Perde a voz, perde o cabelo. Perde a sua figura até que se perde a si própria. 
A história é contada pelo seu médico que, apesar de o seu maior desejo ser retirar-lhe o terror em que vive, não pode pois isso não está ao seu alcance.
Eu gostei bastante deste conto pois retrata o desespero em que se vive quando se está à beira da morte, a vontade e a incapacidade de retirar o sofrimento à pessoa. É um conto que retrata a vida da perspectiva mais dolorosa e inquietante.
''Tanto ódio nesse olhar. Ouve, não pensei que te zangasses, que houvesse revolta, que não aceitasses... Que queres, não posso. Estendia-te a mão se conseguisse. Juro que estendia. A doença não deixa. A vida esvai-se como água num ralo e tu vais cair no centro da Terra. Vê se percebes, não te posso ajudar, fechou o guichet, falta o impresso, não tenho troco - mas neste momento, se quiseres acredita, no momento preciso em que te somes para o fundo, reparei que existias.''

sábado, 24 de janeiro de 2015

Autorretrato

De olhos azuis e de cabelos castanhos encaracolados, com apenas 1,64 de altura, apresento-me ao mundo. Sou uma rapariga muito ansiosa, talvez demais. Passo noites acordada a pensar nas coisas mais atormentadoras e variadas. Preocupo-me com tudo e todos os que me rodeiam. Sou pouco paciente mas muito frágil, orgulhosa e teimosa. Tenho um feitio confuso e peculiar. Ou quero tudo ou não quero nada, ou sou tudo ou não sou nada. Tenho muitas feridas, psicológicas e físicas. Tenho o coração rachado em 302 pedaços e espero ser capaz de o consertar em breve. 
Dizem que tenho cara de poucos amigos, que sou antipática. Julgam-me arrogante, estúpida, de mau feitio, agressiva, irritada e por vezes, oca. Dizem que deveria tentar arranjar um pouco mais de boa disposição e de paciência. Levo as coisas demasiado a peito, não gosto que brinquem com assuntos sérios com os quais me relaciono. Sinto a necessidade de me fazer ouvir e de defender a minha opinião e não gosto de pessoas que não a possuam. Penso que sou um misto da pessoa mais calma e alegre com a mais nervosa e sombria. 
Quero ser bem sucedida, quero trabalhar para a Vogue ou para a Cosmopolitan, sendo colunista ou quero realizar grandes filmes de Hollywood. Quero continuar a ser eu mesma, com a minha lista infinita de defeitos e a minha pequena lista de qualidades. Sou quem sou e não pretendo ter de o mudar para agradar ao mundo. Sou feliz assim, carregando às minhas costas o meu coração partido, as minhas feridas interiores e o meu furacão de emoções.

Retrato

Lembro-me dele, de vez em quando, Principalmente em dias de chuva. Ele, de olhos avelã no inverno e de olhos verdes no verão, era um sonhador cujo olhar transbordava de sonhos e desejos. Conheci-o à 2 anos atrás, lembro-me como se fosse ontem. Ele usava calças e blusa pretas, com os seus óculos escuros que impediam visualizar o brilho reluzente dos seus olhos. Foi, é e será sempre uma das minhas grandes inspirações. Via o mundo como mais ninguém o conseguia ver. Se houvesse relâmpagos, ele veria um arco-íris. Se estivesse a chover torrencialmente, ele veria um sol arrasador. Vivia as emoções ao contrário de todos os outros e foi isso que me fascinou naquela obra de arte humana. Era uma paz de alma, defendia os direitos dos animais e era contra qualquer tipo de violência. Deu o meu nome a uma estrela que, segundo ele, brilhava tanto como eu. A música era o seu refúgio, tocava guitarra e tinha como cantor preferido o Michael Bublé. Gostava de passear pelo parque à noite de mão dada comigo e de na outra mão, segurar a trela do seu cão. Deitados na relva, passavam-se horas, noites e madrugadas na conversa. Ele era especial, era do género de pessoa que se conhece uma vez na vida e que enquanto esta dura, não se consegue esquecer.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Apreciação Crítica de ''Orelha''

''Orelha'' é uma história integrada no livro ''Histórias de Ver e Andar'', de Teolinda Gersão.
Retrata a vida de Isaura, uma mulher desesperada e solitária, que liga para os serviços anónimos com a finalidade de tirar todos os pesos de cima dos seus ombros ao contar tudo o que a inquieta à pessoa do outro lado da linha. Conta a sua história de amor partilhada com um rapaz de seu nome Joaquim, em relação ao qual tinha uma diferença de idade de 15 anos. Apaixonaram-se, e depois casaram. Ele acabou por traí-la e ela ficou doente, com as mãos trementes, pernas incapacitadas de esforço, coração despedaçado. Enfim, caiu, por completo.
Pessoalmente, achei esta história muito interessante, cativante e emotiva. A descrição da fraqueza física e psicológica que Isaura enfrentava, o amor breve e a traição longa de Joaquim, a desconfiança de Isaura para com o seu falso amor. 
Escolhi esta obra porque me fascinei pela história de vida desta personagem frágil que escolhe contar toda a sua vida a uma orelha, sem saber a quem é que esta pertence. Este ato demonstra um certo desespero e uma grande desilusão para com a vida. É como se fosse um refúgio, para onde iria quando se sentisse pior, quando tivesse num mau dia e precisasse de desabafar, mesmo que não soubesse com quem estava a falar.
«Não há ninguém a quem contar, ninguém que me possa servir de testemunha. Quando falo consigo sei que estou a falar sozinha, porque você não é uma pessoa real, é apenas uma orelha, do outro lado do fio. Uma orelha a quem me agarro, no meio da noite, com um fio de voz. Mas a minha voz também é ilusão. Ninguém me ouve, só tenho a ilusão de ser ouvida. Estou cercada de todos os lados, e sem voz. Mesmo que eu abrisse a janela e gritasse, mesmo que eu tivesse voz e a minha voz fosse alta como uma sirene de ambulância e eu abrisse a janela e gritasse - quem me ouviria?''

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Apreciação crítica de ''O Diário da Nossa Paixão''

''O Diário da Nossa Paixão'' título português para ''The Notebook'', escrito por Nicholas Sparks, um romancista de 48 anos, conta-nos a história de um idoso cuja esperança nunca morreu. Tudo começou no verão de 1932, quando Noah e Allie se conheceram. Apaixonaram-se. Imediatamente. Loucamente. Incondicionalmente. No entanto, os pais de Allie não aprovavam a relação pois estes eram de elevada classe social enquanto Noah não passava de um mero rapaz do campo. Por esta razão, separaram-se após esse fantástico verão. 14 anos depois, Allie encontra-se noiva mas, ao encontrar uma fotografia de Noah no jornal, todas as memórias voltam ate´si, até àquele verão. Deste modo, decide procurá-lo, a fim de ficar com quem realmente ama. É isto que ele lhe conta na casa de repouso, onde ambos vivem. E, depois de tanta esperança por um milagre, Noah vê os seus profundos desejos realizados, quando Allie afirma lembrar-se de tudo. A doença de Allie tirara-lhe a lucidez, sendo esta a razão do profundo desespero de Noah, que há tempos se encontra privado do carinho dela, pois ela nem se recorda de quem ele é. Mais tarde, ela finalmente recorda-se, fazendo a alma de Noah encher-se de felicidade e gratidão. Unidos pelo amor profundo que partilhavam, morreram nos braços um do outro.
Na minha opinião, este livro conta uma história de amor incrível. O facto de Noah contar a história a Allie da paixão intensa que ambos viveram juntos, sem ela se recordar, dá-nos a ideia do sofrimento pelo qual Noah passou, uma ideia e um sofrimento quase reais para nós, leitores. Sendo uma história de amor tão bonita, torna-se emocionante ao ponto de ser difícil de conter as lágrimas. 
Por outro lado, existem várias partes da história de amor de Noah e Allie que, na minha opinião, são clichés. Não querendo menosprezar o romantismo, parte da história era previsível e apenas se tornou surpreendente quando se revelou, perto do fim, que a história relatada e demonstrada foi vivida por quem a conta e por quem a ouve.
Por isto mesmo, e sobrepondo a parte boa à parte menos boa e mais cliché, posso dizer, por fim que o ''Diário da Nossa Paixão'' é um dos melhores e mais bonitos romances que já li e que também já vi no ecrã.

Apreciação crítica de ''Loucura''

No livro ‘’Loucura’’ de Mário de Sá Carneiro é retratada uma história de um homem com uma visão sombria e arrepiante sobre a vida, de seu nome Raul. Não acreditava no amor nem no pressuposto de viver. Não encontrava a razão para qual estaria no mundo. No entanto, temia a mote. Questionava-se, por vezes, se existiria vida para lá da morte. Não obteve qualquer resposta portanto continuou a viver, da mesma forma miserável. O seu melhor amigo, apaixonado loucamente pela leitura, era o seu maior confidente e apoio. No entanto, não partilhavam do amor à literatura nem do ódio à vida. Raul teria descoberto o seu grande talento. A escultura. Esta forma de arte teria sido o seu refúgio. Tal como se apaixonou pela escultura, apaixonou-se pela sua musa, Marcela. Ela iluminava os seus dias e amavam-se incondicionalmente. Por a amar desta maneira estranha e perfeita, decidiu matar o seu corpo esguio e elegante como prova do seu amor, após a sua traição. Provar-lhe-ia que a amava com todo o seu ser, com toda a sua alma se matasse o seu exterior. Só Raul a conseguiria amar se ela perdesse a sua incrível beleza. Ela pertencia-lhe e só ele a podia amar. Ele não queria que mais ninguém a amasse e desejasse o seu corpo. Matá-lo seria a solução. Mas Marcela não cedeu. Fugiu. Reconstitui a sua vida enquanto Raul cometeu suicídio.
Na minha opinião, este livro é muito interessante e diferente. Quando comecei por ouvir a história, nunca pensei que Raul fosse capaz de desejar assassinar o corpo belo da sua amada ou até de cometer suicídio. Pensei que as dúvidas imensas que habitavam na cabeça dele não o permitissem de cometer tal ato de pura dor e infelicidade com a vida. Por um lado, a história influenciou a minha forma de ver e encarar a vida. Este livro ensina-nos que existem pessoas loucas, capazes de destruir tudo o que mais amam. Achei esta história fascinante. O modo de Raul encarar a vida, de certo modo, intrigou-me. Talvez pela intensidade.
Deste modo, a minha opinião neste livro é positiva. Além de ter uma história incrível e intrigante, sabe cativar a atenção do leitor devido à história ser tão diferente.